Jalapão – TO Brasil

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Jalapão
Tocantins



 

Nossa expedição ao Jalapão começou bem cedo, ainda no hotel em Palmas, no dia anterior à partida quando me encontrei com Rodrigo, o guia EMBRATUR que me levaria até o famoso Deserto do Jalapão.

O Rodrigo, na verdade, tem um receptivo camping em São Jorge – Chapada dos Veadeiros – Aracoara – e partiu de L200 4X4 até o Tocantins para me encontrar para mais essa aventura. Antes, nós já havíamos feito outros tours juntos por outras partes do Brasil, e também por isso eu já conhecia o serviço desse meu velho amigo dos tempos da faculdade de turismo.

A viagem ao Jalapão é um desafio, porque além do Parque Estadual estar localizado a cinco horas de Palmas, seu acesso é pesado e difícil. Apenas de 4X4 é possível atravessar as estradas intermináveis de areia, costelas e pedregulhos com regiões de pura lama. Como dizem por lá: o Jalapão é bruto.

É bruto mas é lindo! A beleza exótica desse lugar compenas todo o perrengue da viagem. Se eu tivesse passado longas horas de off road atravessado o parque só para ver a cachoeria da Formiga, já valeria a pena. É considerada uma das águas mais cristalinas do Brasil.

Para completar a beleza espetacular, no Jalapão há também dunas para subir e assistir ao por do sol, além de flutuar em fervedouros de águas esmeradas transparentes entre outros atratívos turísticos esplêndidos.

Pelo fator dificuldade, empresas de turismo vendem os pacotes desde Palmas que incluem: traslado 4X4 (partindo do aeroporto), guia turístico, hospedagem e o incrível cenário que tornam tudo isso uma expedição.

Nada contra as empresas que oferecem esse tipo de serviço, pelo contrário, pois são bem convenientes, mas acaba saindo mais caro e costumam ser em grupo, o que torna sua viagem um pouco menos pessoal e os turistas acabam tendo alternativas mais restritas.

A Korumbo foi a empresa turística que mais atuava no parque na época em que estivemos lá, com seus grandiosos caminhos adaptados ao ambiente, quase um safári para gringos. Mas não sabemos informar mais sobre o serviço, se vale ou não a pena, só conferindo com eles.

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Aracoara Receptivo 4×4 – crédito: Lucas CN

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Serra do Espírito Santo Jalapão – crédito: Lucas CN

Roteiro

O Parque do Jalapão é muito grande e seus atrativos são divididos em quatro “cidades-chave”, se assim podemos dizer, e no roteiro que fizemos conhecemos todas elas: 

Começamos pela cidade de Novo Acordo, uma cidade bem pequena e sem grandes atrativos. Logo depois, passamos por Ponte Alta, portal do Jalapão, com pousada boa e estratégica para visitar o parque todo.

A parada seguinte foi em Mateiros, cidade principal do Jalapão, com mais infraestrutura para turismo e próxima dos principais atrativos da região.

A última parada foi na cidade de São Félix do Tocantins, um vilarejo próximo a alguns atrativos e a uma comunidade quilombola.

Como chegar

Partimos de Palmas até Novo Acordo, a primeira cidade do Jalapão, onde aproveitamos para almoçar. Depois de saborearmos uma deliciosa comida caseira, seguimos rumo à Ponte Alta, o Portal do Jalapão.

O que chamou a atenção no trajeto é que, por diversas vezes, atravessamos áreas indígenas e isso evidenciou pra nós o quanto o Brasil é grande, diverso e o quanto estávamos longe de casa.

Nesse primeiro dia de viagem rodamos cerca de 250km no total, lentamente e em estradas que não colaboraram muito.

De Ponte Alta para Mateiros – o coração do Jalapão – foi onde fizemos o pior trecho, 4 horas de viagem para rodar 180 km. De Mateiros, ainda fomos para São Felix do Tocantins, a última cidade com atrativos do parque.

De São Felix, dependendo do roteiro e das condições da estrada, é possível seguir até Novo Acordo e completar o circuito ou fazer o caminho de volta.

Mas tudo depende muito da condição das estradas.

Mapa do roteiro

 

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Parque Estadual do Jalapão – crédito: Lucas CN

 – Ponte Alta

Onde ficar 

Escolhemos Ponte Alta para nos hospedar. Na cidade, existem diversas opções de hospedagem, nós optamos por sair do ”centro” e partimos para a área rural. Lá escolhemos a Pousada Águas do Jalapão, que fica à apenas 10 minutos do centro de Ponte Alta sentido Mateiros.

Ótima pousada em meio a natureza, com boa cama para descansar, restaurante, piscinas artificial e natural, o que ajudou a refrescar os dias de alta temperatura que são comuns lá, onde a média de temperatura anual é de 30º C.

Na manhã seguinte, encontramos no café da manhã o Nilton, dono da pousada, e ele nos contou sua história. Saiu do interior de São Paulo para apostar na agropecuária das novas terras do Tocantins, mas é com o turismo que ele mais tem retorno e destaque na região.

Dica

Uma das opções mais convenientes de conhecer o Jalapão. Tour privado com o Nilton

Além de hospedagem, a pousada oferece todos os passeios off road do parque e o seu lema é: sempre respeitar a fauna e flora do Jalapão

E foi nessa conversa com o Nilton que decidimos passar o fim de tarde na Pedra Furada para ver o pôr do sol, o tipo de coisa que talvez não faríamos sem a dica dele. 

Para ter uma aventura personalizada e com valor mais baixo que as expedições de Palmas, entre em contato direto com a pousada Águas do Jalapão.

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Pousada Águas do Jalapão – crédito: Lucas CN

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Manutenção ao nascer do Sol – crédito: Lucas CN

O que fazer 

A Pedra Furada fica à 28km da pousada que os hospedamos, e como não poderia ser diferente, todo o trajeto de chão de terra, mas nada assustador. Ver o pôr do sol lá foi uma experiência realmente incrível, o sentimento de estar num lugar tão exótico quanto o Jalapão é indescritível.

No dia seguinte, acordamos às 5:30 da manhã ao som do canto dos galos e o Rodrigo, nosso guia, já estava fazendo a manutenção preventiva da caminhonete para encarar mais um dia de estradas pesadas.

Tomamos um café da manhã bem reforçado, caminhonete pronta e lá fomos nós explorar o incrível e desconhecido – para nós – Mateiros. Boralá conhecer o coração do Jalapão:

Passados os primeiros 15km, fizemos a primeira parada depois da pousada e nos deparamos com nosso primeiro atrativo:

O Cânion Sussuapara foi o da vez, cruzando a estrada de Ponte Alta/Mateiros, é parada obrigatória tamanha sua beleza e para respirar a região com o ar mais fresco na região.

Com paredões de 12 metros de altura, mas não muito extensos, o Cânion quase não recebe luz do sol. Muitas raízes da mata ciliar escorrem pelos paredões onde gotejam água e fazem desse lugar um ótimo cooler natural.

Para encerrar essa primeira parada com chave de ouro, um banho de cachoeira ao fim do Cânion.

De lá, seguimos de vez para Mateiros, onde se concentram a maioria dos atrativos do Parque do Jalapão. A estrada é mais crítica com 180 km que parecem intermináveis, mas sempre com a exuberância da beleza natural inigualável pelo caminho.

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Pedra Furada, Ponte Alta – crédito: Lucas CN

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Pedra Furada Jalapão = crédito: Lucas CN

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Cânion Sussuapara – crédito: Lucas CN

 – Mateiros

Onde ficar

Chegamos já procurando por uma pousada e escolhemos a que levava o nome da cidade para nos abrigar, a Pousada Mateiros. O custo benefício valeu a pena, mas vimos que além dessa, há outras boas pousadas por lá, das que vimos que pareciam ser bons lugares, indicamos a Pousada Panela de Ferro e a Pousada Buritis do Jalapão.

O que fazer

A gigantesca Serra do Espírito Santo toma conta da vista na ida para Mateiros – que está localizada atrás da serra – e é preciso contornar para chegar ao destino, o que nos permitiu apreciar o lugar de todos os ângulos possíveis. 

Dica

Existe um trilha para subir até o planalto da serra direto da estrada, ela fica antes de chegar em Mateiros indo de Ponte Alta. São aproximadamente 40 minutos andando bastante até o topo

Nós combinamos de ver o nascer do sol do último dia, mas infelizmente quando passamos pela trilha, o sol já havia nascido, com isso optamos por não subir e ganhar tempo na estrada. A dica é local e, pela indicação, deve valer muito a pena.

Em Mateiros encontramos os principais atrativos do Jalapão, entre eles diversos fervedouros e as famosas dunas do Jalapão – que deram o primeiro apelido de ”Deserto do Jalapão” ao lugar.

As dunas são formadas de areias que se desprendem da Serra do Espirito Santo e se alojam a suas margens, algumas delas chegando aos 30 metros de altura e podendo ser visitadas na volta para Ponte Alta que também ficam próximas a Mateiros.

Saindo cedo de Mateiros, é possível encontrar as dunas vazias, praticamente exclusivas, a melhor hora para fotografar a região.

Outro bom momento para visitá-las é no fim da tarde, quando a areia já não está tão quente e a luz do entardecer deixa-a avermelhada, compondo uma paisagem espetacular.

Os fervedouros que visitamos a partir de Mateiros foram: Alecrim – Glorinha – Mumbuca. Existem no total seis deles abertos ao público, os outros que ficam dentro de propriedades particulares tem o acesso restrito.

Dica

Eis a vantagem de personalizar o passeio: as chances de encontrar os atrativos com pouca gente é grande, o que possibilita aproveitar ainda mais o tempo da visita

Os fervedouros ficam localizados a cerca 40km de distância de Mateiros, mas não muito próximos um do outro, então reserve um dia só para caçá-los.

No fim do dia a caça foi um sucesso, 4 fervedouros visitados sem pressa e sem a pressão de uma expedição ou excursão.

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Fervedouro da Glorinha – crédito: Lucas CN
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Fervedouro Mumbuca – crédito: Lucas CN

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Fervedouro Alecrim – crédito: Lucas CN
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Serra do Espirito Santo, Jalapão – crédito: Lucas CN

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Serra do Espirito Santo – crédito: Lucas CN

 

– São Felix do Tocantins

O que fazer 

A Cachoeira da Formiga foi primeiro atrativo do dia seguinte. Localizada entre Mateiros e o vilarejo de São Felix, é de rápido acesso partindo tanto de uma cidade como de outra. Paramos o carro no camping do Seu Vicente (dica do Nilton lá da Pousada Águas do Jalapão).

Chegando e fomos muito bem recebidos, fizemos nossa reserva para o almoço (com toda a comida preparada na hora e no fogão a lenha), depois fomos descobrir mais uma linda e marcante paisagem do Jalapão.

A cachoeira da Formiga é famosa por suas águas cristalinas e considerada uma das 3 cachoeiras mais claras e límpidas do Brasil. Não é preciso dizer mais nada né?! A sensação é como nadar num aquário.

Depois de algumas horas na cachoeira, passamos em mais um fervedouro que fica muito próximo, no caminho de volta ao camping, o fervedouro do Buritizinho,pequeno e com um tom de azul vivo impressionante.

De volta ao camping do Seu Vicente, apreciamos sua deliciosa comida novamente, acompanhada de uma gelada. Nada poderia estragar essa viagem ao P.E. Jalapão.

Para os que planejam esticar a rota além de São Felix do Tocantins, no trecho sentido Novo Acordo, existe outro atrativo para visitar, ou pelo menos admirar de longe: a Serra da Catedral.

A serra da Catedral é uma gigantesca pedra que tem um corte que se assemelha a uma catedral, por isso o nome. Não chegamos a ver e nem a visitá-la, mas sabemos que é um outro ponto turístico muito famoso por lá.

Antes de retornar a Palmas, passamos mais uma noite na pousada Águas do Jalapão e tivemos a chance ainda de visitar o último atrativo, a cachoeira da Velha.

Nada mais poderia nos surpreender em relação a beleza natural de Jalapão, as inúmeras coisas exóticas que vimos em tão pouco tempo já haviam impressionado um bocado,  e a cachoeira da Velha não deixou a desejar.

Com uma forte queda d’água, não é possível entrar debaixo, mas é possível aproveitá-la na piscina que forma uma “mini-praia” muito relaxante, onde pudemos nos refrescar do calor de mais de trinta graus da região.

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Cachoeira da Formiga – crédito: Lucas CN
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Fervedouro Buritizinho – crédito: Lucas CN
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Fervedouro Buritizinho – crédito: Lucas CN

 


Veja mais 

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Outro lugar muito bacana para visitar é a Comunidade Quilombola de Mumbuca, um quilombo onde surgiu o famoso artesanato de Capim Dourado, que fica à 35km de Mateiros.

Dica

Vale muito a pena comprar itens artesanais direto da comunidade ou mesmo em Mateiros, pois a diferença de preço para qualquer outro lugar é significativa, e ajuda diretamente aos artesãos e não a quem os explora

O capim dourado na verdade é a haste de alguns centímetros de uma planta que em época de reprodução cresce para dar vida a uma flor branca. Essa mesma haste é recolhida pelos moradores da comunidade para serem confeccionados os artesanatos de Capim Dourado.

A época da colheita é regulamentada pelos administradores do parque e só pode ser feita pelos quilombolas

– Expedição pelo Jalapão: Balanço final

Não é possível afirmar que tudo foi uma surpresa, pois pelas fotos já sabia sobre o lugar que estava prestes a visitar, mas que foi marcante, ah, isso foi! As paisagens, a calmaria, o silêncio daquele lugar são detalhes que ficarão registrados para sempre não só nas fotografias, mas na memória. O Jalapão é realmente bruto, mas é bruto de belezas inigualáveis.

Dica

Reserve 3 ou 4 dias pelo menos só para o Jalapão, serão dias muito intensos, não apenas no tempo, mas na satisfação

Prepare-se para viver desconectado e, ah, só para não esquecer: pagamentos na região só em dinheiro, cartão é quase lenda por lá.

Dadas as dicas, boralá conhecer as belezas do Jalapão!

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Tocantins, Jalapão – Coisa de Cinema
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Por do Sol, Jalapão – crédito: Lucas CN
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24 COMENTÁRIOS

  1. bom, poderiam me dizer se para conhecer os lugares é preciso pagar para entrar ? tipo fervedouros ? ou é tudo livre ?

    • Olá Delis,

      Quando fomos os valores dos fervedouros foi de 5 reais. A Pedra Furada, a cachoeira da Formiga e as Dunas não nos cobraram nada. O Caro do Jalapão é chegar lá, os atrativos e restaurantes nas cidades são bem em conta. Esperamos ter ajudado.

      Boa Viagem!!

Deixe sua crítica, comentário e mais DICAS se tiver. BORALÁ!!