Srinagar, Kashmir – Índia

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Viagem para Caxemira
Srinagar, Jammu & Kashmir



 

Tivemos a imensa felicidade de conhecer esse lugar chamado Kashmir na Índia. Um paraíso que infelizmente vive em guerra. A chance veio através de um amigo que fizemos em Delhi. Ele sempre falava sobre sua terra natal e fez questão de mostrar a Caxemira.

Esse amigo é o Ali, que na verdade tornou-se um irmão. Depois conhecemos seus primos, os irmãos Zahid e Wassen que nos apresemtaram Srinagar. A família trabalha com turismo há três gerações no país. Eles possuem um agência em Nova Delhi, uma outra em Srinagar, na Caxemira e um hotel em Jaipur, no Rajastão.

Com eles viajamos a Índia de norte a sul, literalmente. Essa inesquecível viagem foi de apenas 3 dias, mas já deu para ter uma noção do que é o Kashmir.

Eu estava indo sozinho, pois a Claudia tinha que ficar em Delhi por causa do trabalho, mas no último minuto, surpresa. Dois amigos brasileiros, uma a nossa outra viajante Lú Aria e até então, apenas amigo dela o Joel, foram me encontrar e desbravamos essa e muitas outras pela Índia juntos.

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Brasil + Índia (Caxemira) – crédito: Lucas CN
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Lago Dal, Srinagar – crédito: Lucas CN

Kashmir é o estado mais ao norte da Índia. A maior parte do território pertence a Índia, e uma porção menor para o Paquistão.

Existem muitos conflitos em relação a região. Brigas e guerras entre Índia e Paquistão são frequentes para ver quem domina o território, e fora isso, habitantes locais querem sua independência de ambos os países. É uma pena, pois é um lugar que reflete paz pela sua bela natureza.

Kashmir ou Caxemira como estamos acostumados a ver nos jornais, ficou famosa no mundo todo por conta das guerras, atentados, mas não foi isso que vimos em nossa visita, o que nos encantou foram as belezas, suas das montanhas recortando o Himalaia, lago Dal e muito mais.

Como chegar

Pegamos um voo em Delhi com a Indigo – melhor cia aérea e recomendada na Índia – depois de uma hora e meia avistávamos o começo de montanhas nevadas do Himalaia até pousar em Srinagar.

A diferença de temperatura foi grande, enquanto Delhi beirava os 30 graus, Srinagar estava perto do zero.

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Himalaia – crédito: Lucas CN

Pelos motivos citados a cima, já esperávamos por um sistema de segurança forte, sendo que em todo lugar na Índia a segurança já é bem reforçada. E não foi diferente, na verdade foi mais burocrático e difícil do que entrar na Índia.

Assim que desembarcamos em Srinagar, no Kashmir, passamos pela ”ímigração”, onde revistaram nossas malas, documentos e por onde tivemos anteriormente. Assinamos papéis extras por sermos estrangeiros e tivemos que identificar onde ficaríamos e com quem. Quase uma hora depois de desembarcar, revistas, documentos, e chá de banco, entramos na realidade da Caxemira.

Para retornar para Delhi foi ainda ”pior”, carro revistado 2x ,nós revistados e escaneados 5x, malas abertas e até mesmo nosso laptop e camera nos fizeram ligar. O mais intrigante, tivemos que ir até a pista para reconhecermos nossas malas, assinarmos um termo antes das mesmas serem despachadas. Enfim… Tudo isso nos deixava seguros no fim das contas.

A excitação tomou conta em saber que estavamos entrando em terras que tanto me lembrava a infância nos anos 90 quando o Jornal Nacional anunciava noticias quase diárias de conflitos e atentados.

Realmente me senti um jornalista de guerra, pois a realidade é meio pesada. Soldados e a paisanas em quase todas as esquinas com seus fusils, snipers no topos dos prédios, tanques de guerra, caminhões e trincheiras espalhados por todos os cantos etc.

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Shikaras – crédito: Lucas CN

Onde comer

Depois de tanta experiência nova, chegamos na agência Srinagar Tourism para encontrar com Ali e o pai de Zahid e Waseen, fomos estender nossos contatos familiares pelo país.

Logo em frente a agência há delicioso restaurante tibetano, o . O lugar foi recomendado pelo Ali como um lugar tranquilo e boa comida. Acertou em tudo! Comemos uma deliciosa sopa que tinha almondegas com omeletes em tira, sopa típica do Tibet.

Outro bom restaurante é o Alka-Salka. Lugar onde fizemos nosso segundo almoço. Comemos carneiro ao molho, arroz e pão naan, falando até parece tudo normal, mas o tempero e sabor foram únicos. Estava tudo MUITO BOM!!

Embora a culinária seja diferente do resto da Índia, a maneira de comer é a mesma, com a mão, sem talheres. Prepare-se para ver eles fazendo uma maçaroca no prato com a mão e lambendo os dedos. Coisas de viagem!! 😉

Valer saber: A janta e o café da manhã é servido nas Houseboats.

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Sopa thukpa – crédito: Lucas CN
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Restaurante Lhasa – crédito: Lucas CN

O que fazer

Foi apenas um fim de semana em Srinagar, mas muito bem aproveitado. No sábado fomos visitar uma loja/fábrica de tapetes e cachecóis feitos com a famosa paxemina, tipo de lã extraída da barba dos bodes do Himalaia. Pra gente no Brasil conhecida como Caxemir.

Foi algo realmente incrível, ver a maneira que os tecelões fazem os tapetes artesanalmente. Um tapete de tamanho pequeno leva em média um ano para ficar pronto, alguns chegam a levar de 4 a 5 anos.

O fio da barba do bode que vive no himalaia, mais de 4 anos de trabalho só podem custar caro mesmo, porém muuuuuito mais barato do que encontramos por aqui, mas mesmo assim, caro, de lá só trouxemos fotos e recordações.

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Ferramentas para fazer tapete a mão – crédito: Lucas CN
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Tapete de caxemire feito a mão – crédito: Lucas CN
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Tapetes de Kashimir – crédito: Lucas CN

 

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Forte Pari Mahal (1650) – crédito: Lucas CN
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Por do sol em Srinagar – crédito: Lucas CN

Visitamos também o Pari Mahal, um antigo forte, todo no estilo arquitetônico árabe de 1650, hoje em dia faz parte das instalações do exército indiano.

O forte fica no alto das montanhas, de onde se tem uma vista incrível do lago e da cidade de Srinagar. Ótimo ponto para por do sol.

Como estamos falando do Himalaia, claro que não pode faltar uma visita ao topo de uma montanha nevada, na verdade, algo que nem imaginava que havia na Índia, uma estação de ski. Aos 4 mil metros de altitude, encontra-se uma ativa e famosa estação de ski para os turistas e locais se divertirem, a Ski Gulmarg.

A vista é magnífica, pegamos 2 teleféricos para chegar ao pico, foi um passeio de muita diversão com o Joel vendo neve pela primeira vez, e a Lú com medo do bondinho, que por sinal estava em ótimas condições. Um enorme agradecimento ao nosso brother Waseen por esse passeio.

Outros atrativos turísticos famosos em Srinagar são os trekking no Himalaia, trekking que pode ser de um, três e até cinco dias, acampando no alto das montanhas e caçando sua própria refeição. Sim, é isso mesmo!

Talvez o mais exótico a se fazer por lá, seja a visita ao túmulo de Jesus Cristo. O mesmo! para muitos é lá que ele foi enterrado, os mulçumanos acreditam na existência de Cristo, mas não na sua ressureição e não tem ele como um filho de Deus, mas um profeta que depois de crucificado, lá foi velado e enterrado.

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Estação de Ski Gulmarg – crédito: Lucas CN
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Estação de Ski no Kashmir, Índia – crédito: Lucas CN
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Cordilheira do Himalaia (+4 mil metros) – crédito: Lucas CN
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Boralá na Caxemira – crédito: Lucas CN

Onde dormir

Passamos o fim de semana hospedados em uma das diversas houseboats de Srinagar. São barcos/palácios muito bem decorados prontos para receber turistas de todas as partes.

Ficamos na houseboat Wadoo Palace, propriedade da família de amigos, ótimo serviço prestado pela equipe do barco, que contava com um cozinheiro, e dois ajudantes que mantinham o barco limpo e sempre aquecido com a lareira acessa.

O lema dos comerciantes é mais ou menos o seguinte, se ”Maomé não vai até a montanha, a montanha vem até Maomé”. Isso pelo fato que o barco é altamente visitados por vendedores ambulantes de artesanatos. Eles chegam em barquinhos menores trazendo muito de seus artesanatos. Vendem de tudo, de sementes de flores exóticas até artesanatos vindo do Nepal e Tibet.

Tudo que vem do Tibet é bem mais caro por muitos motivos, a história em cada artefato é única, fora a qualidade e raridade, são absurdas.

Pagamos pela história e o momento, recordação de um lugar que ficará eternamente guardada.

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Houseboat Dandoo – crédito: Lucas CN
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Houseboat, Dal lake – crédito: Lucas CN
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Houseboat Dandoo – crédito: Lucas CN

Conclusão final

Embora a primeira impressão seja de zona guerra, Kashmir se mostrou um lugar muito tranquilo, muito calmo, diferente do resto da Índia, onde as buzinas e gritos estão por todos os lados.

As pessoas são muito amigáveis e receptivas. Um dos vendedores que por nossa houseboat passou, me meu uma aula de religião quando eu disse a ele que gostaria de saber e entender mais sobre a religião mulçumana vindo do outro lado da moeda. No dia seguinte ainda ele me presenteou com um Alcorão.

Vale saber tambéem que às cinco da manhã as mesquitas fazem a primeira reza do dia. São diversas delas espalhadas pela cidade e todas possuem alto falante para as rezas.

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Srinagar, Caxemira (Kashmir) – crédito: Lucas CN
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Shikara, vendedores ambulantes – crédito: Lucas CN

Infelizmente conflitos ainda há na região, principalmente durante a primavera e verão (maio-setembro).

Se alguém me perguntar se deveria visitar a Caxemira / Kashmir, eu afirmaria que sim, mas sempre deixo bem claro o que verá para não se assustar, mas a realidade diária é outra, mas sim, há riscos.

Eu fui e pretendo voltar caso tenha outra ocasião.

 

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16 COMENTÁRIOS

  1. Que privilégio, hein?! Imagino o quanto deve ter sido uma viagem intensa. Sempre que leio relatos de lugares e experiências assim fico feliz por constatar como o mundo é grande e rico!!! Obrigada por compartilhar sua experiência. Ahhh, e essa sopa thukpa deve ser uma delícia, hein?! 😉

  2. A Índia está na minha lista desde sempre, então adoro ler sobre aquele país. Que fantático você conhecer alguém que acabou ficando tão próximo e pôde te orientar e viajar junto! Fiquei apaixonada pela Caxemira, que para mim era apenas um destino exótico. Adoraria trazer um tapete de lá. Quanto a essas dificuldades na “imigração”, penso que a gente deve aceitar simplesmente. Nunca se sabe exatamente pelo que eles passaram para agir dessa forma. Ótimo relato, parabéns!

    • Olá Zudi, concordo plenamente, tudo é por motivo de segurança. Essa parte da Caxemira é muito delicada e triste. Mas é sim um lugar exótico. E sobre a Índia toda, eu recomendo você a visitar sim, irá se apaixonar assim com nós. Obrigado pela visita 🙂

  3. Você deve ouvir isso com frequência mas não consigo me furtar a fazer tal comentário: que viagem incrível deve ter sido essa! As imagens falam por si, mas o seu relato, a descrição do que viu, viveu, comeu… está lindo! Estou absolutamente encantada com a viagem que acabei de fazer através de suas palavras e fotos, que estão bárbaras, cheias de poesia!

  4. Que relato surpreendente.
    Até então, nunca havia lido algo a respeito, considero até que seja uma viagem não tão turística quanto os demais destinos indianos. Corrija-me se eu estiver errada, please!
    As fotos ficaram perfeitas!
    Abraços.

    • Ola Makenna, de fato a região da Caxemira é altamente visitada, mas por turistas indianos mesmo. São poucos os extrangeiros que se ”arriscam” a conhecer. Gostamos que tenha gostado das fotos. Obrigado!! 🙂

  5. A Caxemira foi o lugar mais lindo que já visitei, é realmente uma tristeza essa guerra. Adorei suas fotos, só me deram mais saudades desse lugar tão especial 🙂 Fico aqui torcendo para que o conflito em algum momento termine, porque como sempre, é a população local quem mais sofre, né?
    abs!

    • Olá Fernanda, estou na toricida também, é triste ver o povo sofrendo com atentado em hospitais etc… Ficamos felizes que tenha gostado do nosso relato. Obrigado!

  6. Oi Lucas! O que eu sabia de Caxemira, ou seja, nada, era dos noticiários sobre a guerra. Não sabia que havia estação de ski por lá. E nem sabia que a famosa paximina era feita com a barba do bode. Legal… Fiquei horrorizada com as diversas revistas e pelos diversos trâmites pelos quais passaram na imigração. Ainda bem que a visita compensou… Parabéns pelo post!
    Abraços,
    Carolina

    • Olá Carolina, Obrigado por nos visitar!! 🙂
      Eu também não conhecima nada, a não ser sobre ser território de conflito. Mas meu amigo me insistiu tanto pata visitar, pois sempre dizia que é a região mais linda da Índia, e ele tinha razão.

Deixe sua crítica, comentário e mais DICAS se tiver. BORALÁ!!