Parque Nacional Torres del Paine
Patagônia chilena



 

Para os amantes da natureza, esporte de aventura ou apenas viajantes e mochileiros, o grandioso Parque Nacional Torres del Paine, é um dos principais destino da América do Sul.

Todo ano Milhares de viajantes se deslocam até o parque para percorre o circuito “W” que termina nas 3 torres de granito com geleiras e lago de cor turquesa. Prepare-se para 4 dias de muita aventura acampando, banho com água direto da geleira, chuva, neve e vento, MUITO VENTO!

Existe também o circuito O, mais longo e consecutivamente mais dias para ser feito. O circuito O tem ao todo 93,2 km de extensão e requer o mínio de 7 a 8 dias, podendo ser feito em até 10 dias com mais calma admirando toda a beleza exótica do P. N. Torres del Paine.

O Parque Nacional Torres del Paine é um safare fotográfico para os amentes do click!

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Parque Nacional Torres del Paine – crédito: Lucas CN

Planejamento

vale saber
O circuito W pode ser feito em 5 ou até mesmo em 6 dias.

A aventura foi no parque nacional, mas o planejamento e preparação do trekking de 4 dias para o Circuito W foram em Puerto Natales. Tivemos o suporte do W Circuit Hostel, que guardou nossas roupas e coisas extras para podermos usar o mochilão na caminhada. Por isso, quando for reservar sua hospedagem, certifique-se que eles tem serviço de depósito de bagagem.

Foi em Puerto Natales também que encontramos nossa agência, a Across Patagonia turismo receptivo. Na agência alugamos todos nossos equipamentos de acampamento e cozinha. Fica localizada na mesma rua do W Circuit hostel.

Última etapa foi comprar os mantimentos para os 4 dias de acampamento, somando 76 km caminhados no total. De volta ao hostel, separamos as coisas, o peso, ajeitamos tudo no mochilão, e estávamos pronto para o dia seguinte, que começaria logo cedo as 6 da manhã.

 

Como chegar

O Parque Nacional Torres del Paine está localizado ao sul da Patagônia do Chile. Para chegar até o parque, o aeroporto mais próximo é o de El Calafate na Argentina. A cidade chilena mais próxima com aeroporto é Punta Arenas. Tanto chegando pela Argentina ou pelo Chile, a cidade destino é Puerto Natales, de lá que saem os ônibus para Torres del Paine.

 Puerto Natales → Parque Nacional Torres del Paine

Quando alugamos nossos equipamentos na agência Across Patagonia, garantimos também nosso transfer para o Parque Nacional Torres del Paine. A saída para o Parque acontece diariamente às 8:00 am da rodoviária de Puerto Natalesmapa – .

Transporte
– valor: R$ 77 / 15.000 pesos (2014)
– tempo: 2 hora

Durante o trajeto o ônibus para em um centro de turistas para os souvenir ou algo que ficou faltando antes de entrar nos senderos (trilhas) do parque. Comprei um segundo gorro e luvas que me ajudaram muito, mas claro, se puder compre tudo antes, o valor claro, é mais alto.

Chegando na recepção do parque Torres del Paine – CONAF, você gasta mais um pouco. Para dar continuidade no trekking, é preciso pagar em espécie a entrada do Parque Nacional, o shuttle que te leva ao começo da trilha e te busca no final e também o catamaran para atravessar o lago Pehoé.

Parque Nacional
– valor: R$ 279.50 (2014)
  entrada: R$ 92.50 / 18.000 pesos  – atualizado – 
  shuttle: R$ 13 / 2.500 pesos
  catamaran: R$ 82 / 16.000 pesos

Fazer o circuito W em Torres del Paine pode ser caro, mas o parque oferece uma ótima estrutura de segurança e limpeza. Antes de sair para as trilhas, somos obrigado a passar por uma sala e ver um vídeo educativo, sobre como preservar o parque e os cuidados que tem que se tomar e multa caso desrespeite.

Com as entradas do parque, a gente recebe também um mapa (segue foto abaixo do mapa de Torres del Paine o Circuito W), uma carta com os horários que se pode entrar nas trilhas com segurança, para evitar que pessoas se percam na escuridão.

Existe também um cartão que vai sendo picado pelos guarda parque toda as vezes que se entra nas trilhas, uma espécie de controle interno do Parque Nacional.

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Lago Pehoé – crédito: Lucas CN
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Mapa Circuito W – Torres del Paine

Torres del Paine
Circuito W

 

  1º dia de trekking
  Acampamento Paine Grande 

O shuttle deixa todo mundo em uma cafeteria, no pier do lago Pehoé. Dali em diante não tem mais volta, começa a aventura. Catamarans saem da cafeteria entre as 9 e 10 horas da manhã para o primeiro acampamento do outro lado o lago, o acampamento Paine Grande.

A nossa idéia era pegar um dos primeiros catamarans, atravessar o lago, armar a barraca e fazer 22 km de caminhada (ida e volta) até o acampamento Grey para ver as Geleiras Grey. Porém…

…Porém nós aceitamos indicações de uma galera que estava no hostel para ver uma linda cachoeira de águas turquesas, o Salto Grande. De fato a queda d’água é linda, brilha os olhos, mas por conta disso tivemos que refazer todo nosso trajeto do W.

O Salto Grande fica relativamente perto da cafeteira, porém nós perdemos os primeiros embarques e esperamos até as 16 horas para embarcar. Não seria mais possível para a gente fazer o bate e volta até o Grey, pois a trilha estaria já fechada para a volta. Com isso começou o sofrimento.

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Salto Grande – Torres del Paine
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Acampamento Paine Grande – crédito: Lucas CN

Ao invés de chegar e armar a barraca, nós carregamos 11 km morro a cima com mais ou menos 17 KG de equipamento (barraca, roupa e comida, panelas etc…), com MUITO vento contra, para poder acampar no acampamento Grey.

O trajeto que poderíamos fazer em 3 horas em uma boa caminhada sem peso, leevou pouco mais de 3 horas e meia.

Vale saber
Rajadas de vento é algo que ocorre com frequência em Torres del Paine. São rajadas que podem chegar aos 150 km/h. Quando o vento entra, a melhor coisa é se abaixar e agarra a grama e esperar passar, pois com o mochilão, é fácil de se desequilibrar e rolar ribanceira a baixo.

 

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crédito: @Wikipedia
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Geleira Grey – crédito: Lucas CN
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Geleira Grey – crédito: Claudia B.

Como se não bastasse os 11 km com peso nas costas, chegando no acampamento louco para tomar, fiquei sabendo que o banho quente ia até as 21 horas, e nós chegamos às 20:45, conclusão, ou armar a barraca com luz ou banho quente. Mesmo armando a barraca bem rápido, não deu tempo.

Mas mesmo com a água vindo da geleira, eu me senti na obrigação de um banho para relaxar. Não sei se relaxou ou não, a água estava TÃO gelada que doia os ossos.

Acampamento Grey
– valor: R$ 20.50 reais / 4.000 pesos (2014)
– serviços: banheiro, banho quente e espaço para cozinhar e comer

 

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Acampamento Grey – crédito: Lucas CN

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Posto de atendimento acampamento grey – crédito: Lucas CN

 

2º dia de trekking
Acampamento Italiano

Nosso segundo dia começou cedo, como sempre em qualquer acampamento, mas ao invés de ser com a luz do sol, foi com o guarda parque anunciando que no dia teria rajadas fortíssimas de vento que poderiam chegar até 130km/h.

Fizemos nosso café da manhã no centro de turista do acampamento junto com outros mochileiros. Ganhamos energias para nossas próximas 3 horas e meia de caminhada com toda a bagagem nas costas até o acampamento Paine Grande novamente, onde chegamos com o catamaran.

No acampamento Paine Grande, fizemos nosso almoço e sem tempo a perder, seguimos a trilha até o acampamento Italiano. Foram mais 7 km feitos em 2 horas e meias caminhando, dessa vez além do frio e vento (muito vento), começou a chover no meio do caminho.

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Chegada acampamento Italiano – crédito: Lucas CN
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Acampamento Italiano

O acampamento Italiano, embora tenha uma estrutura mínima, ele é bem cru, sem energia elétrica, sem banheiro e cozinha, mas muito bem localizado, com uma vista linda para o vale.

Na manhã do terceiro dia, às 7 da manhã saímos para completar o V do circuito W. Subimos em direção do acampamento Britânico no Vale do Francês. Foi um bate e volta, 5.5 km em 3 horas para voltar para nossa barraca e entrar na trilha o mais cedo possível para o acampamento Chileno.

Acampamento Italiano
– valor: grátis
– serviços: nenhum

 

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Geleira Paine Grande – crédito: Lucas CN
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Parque Nacional Torres del Paine – crédito: Lucas CN
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Trilha Vale do Francês – crédito: Leandro Bordon

3º dia de trekking
Acampamento Chileno

Por volta do meio dia deixamos o acampamento Italiano e entramos no terceiro dia de trekking, o dia mais sofrido da minha vida, creio que nossas vidas, pois a Claudia sofre comigo.

Chegamos no acampamento Chileno 6 horas e meia depois, foram mais 10km pra conta nesse dia em uma trilha de nível pesado. No meio do caminho choveu e até nevou por um tempo. Mesmo com tudo isso a desidratação foi grande e cada passo dado na última hora de trilha foi uma grande conquista.

Meus joelhos estavam moídos com a caminhada, peso e ambiente durante a trilha. Eu particularmente não aguentava mais, queria pedir para minha mãe ir me buscar. rs

Pra dar mais história ainda para essa aventura, como andamos em passos curtos, fomos um dos últimos a chegar na área de camping, ou seja, os lugares que sobraram eram os piores, inclinados e com a chuva a água parava quase que dentro da barraca.

O que salvou depois desse longo dia foi um bom banho quente, nem comer eu queria depois, só dormir. Foi a pior noite da minha vida. O lado positivo do caminho foi que de vagar pudemos admirar muito a belesa do parque, margeando as montanhas bem de perto.

– valor: R$ 31 reais / 6.000 pesos (2014)
– serviços: banheiro, banho quente e espaço para cozinhar e comer

 

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Trekking Torres del Paine
Los Cuervos, Torres del Paine – crédito: Lucas CN
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Parque Nacional Torres del Paine – crédito: Claudia B.
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Lagunas de Torres del Paine – crédito: Lucas CN

 

4º dia de trekking – Torres del Paine 

Depois de acordar como um miserável, aproveitei de outro banho bem quente para começar bem dia. Nesse dia nem pensamos em armar a cozinha e cozinhar, pagamos um café da manhã no refugio Chileno, deixamos as botas secando na frente lareira e relaxamos um pouco antes de subir para enfim ver as tal torres.

Ainda tínhamos o ponto mais alto do W para alcançar, mais 4.5 km de subida feitos normalmente em 2 horas e meias, com meus joelhos lforam 3 horas e pouco, mas o mais difícil mesmo foi a descida, ai a dor era tremenda.

Foram 4 horas para descer, eu escorando a Clau e ela me escorando. Chegando no refúgio fomos atrás de cavalos para descer até o ponto onde o ônibus nos pegaria novamente e nos levaria até a administração do parque, para enfim, pegar ônibus para Puerto Natales.

Mas não foi dessa vez, eles já não tinham mais cavalos a disposição, contudo, ainda restava espaço vazio nos cavalos de carga. Pagamos 45.000 mil pesos chilenos pelo serviço, cerca de 200 reais na época para descerem nossas malas.

Caro, porém valeu muito no momento, não tínhamos mais condição nem de suportar nosso próprio corpo, quanto mais as mochilas e barraca. O relevo de Torres del Paine é realmente bruto.

Nós dois estávamos debilitados. Havíamos forçado muito nos três dias anteriores por ter escolhido ver a cachoeira Salto Grande, além de estar em um ritmo de viagem forte, bem puxado. Mais de um mês de estrada e caminhando muito, fazendo diversas trilhas,  mochilando pela América do Sul.

Eu desci os últimos 5 km do refúgio do Chileno até o Hotel Las Torres (ponto de ônibus) em quase 3 horas, eu não conseguia mais dobrar os joelhos e segurar o tranco da descida, eu tive que descer fazendo moonwalk (Michael Jakson). No fim estávamos com cara de quem sobreviveu a ilha do Jurassic Park. 🙂

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As Torres del Paine – crédito: Leandro Bordon
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Rolling Stones 😛 – crédito: Lucas CN
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Patagônia chilena – crédito: Claudia B.

Quando ir

Quando ir para Torres del Paine? O Parque Nacional é aberto o ano todo para o aventureiros explorarem suas paisagens. Porém a melhor época para visitar Torres del Paine sem dúvida é o verão, de dezembro a março, onde temos maior horas de luz e a menor possibilidade de chuva, mas mesmo assim ela cai, como relatamos.

A primavera e o outono também são recomendados, principalmente para quem gosta de caminhar mais reservadamente, sem o trânsito dos mochileiros do verão.

Vale saber que na primavera os ventos são fortes, no outono as possibilidades de chuvas maiores e nos dois as noites são frias. Para quem gosta de fotografar paisagens, é a melhor época e também os melhores preços.

Os trekking são limitados no inverno, porém o parque é aberto e é possível se alojar nos refúgios. No geral o clima de Torres del Paine é frio, mesmo no verão as temperaturas podem cair. Lembre-se do regado das mães: ”leva uma blusa”.

 

Conclusão final

O Parque Nacional Torres del Paine é cenário de outro mundo. Não é barato chegar até lá, e mais caro ainda os 4 dias no mínimo para conhecer o parque.

O circuito W deve ser feito com calma, por conta de uma linda cachoeira, quebramos nosso planejamento e pagamos por isso. Foi duro, com neve, chuva e vento, mas passaria tudo de novo. Experiência única e extraordinárias!

No final do 4º dia percorremos cerca de 60 km em mais de 30 horas. Hoje não vemos a hora de voltar para esse belíssimo lugar resgatar meus joelhos. heheh Quero voltar e refazer com calma, e dessa vez o circuito O.

 

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Parque Nacional Torres del Paine

 


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Turismólogo de profissão, Lucas é o faz de tudo no Boralá (inclusive escrever em 3ª pessoa, rs), desde montar o site, otimizar os texto, tratar cada foto, mídia social etc... Lucas se diverte criando, escrevendo e claro, viajando.

20 COMENTÁRIOS

  1. Lucas, mil desculpas, mas ri muito com as vossas aventuras que terminaram com uma passada à Michael Jackson. Hahaha. E de pensar na mãe para o vir salvar da situação 🙂 Mãe é salvadora mesmo. Apesar do cansaço e dos contratempos, valeu muito a pena, certo? E ficou com uma história fantástica para contar.
    P.S. As fotos estão maravilhosas

    • Olá Ruthia, Hoje eu dou risando também, na época fiquei preocupado, pois tinha tando a mochilar ainda e meus joelhos estavam em péssimas condições, e sobre o moonwalk, é verdade. heheh Que legal qye gostou! Obrigado pela visita!!

  2. Que paisagens incríveis!!!!Um dia, se Deus quiser, vou conhecer essa parte da Patagônia!!!Estou indo agora no fim do ano mas para Bariloche e Puerto Varas conhecer os lagos

  3. Nossa… que aventura! Mas parece valer muito a pena. O lugar é lindíssimo e as fotos estão maravilhosas. Parabéns pelo post. Bjs

  4. Perfeito esse post Lucas! Primeiro obrigada por compartilhar também os valores. Não entendo porque alguns blogueiros não fazem isso. Já salvei aqui no meu favoritos pq tb quero muito conhecer o parque. ABS!

  5. Imagino que esse visual todo compensa qualquer dificuldade e cansaço, né? As fotos estão sensacionais, Lucas! Trekking deve ser muito divertido e superador de limites, eu ainda não pratiquei, mas um dia, quando estiver em forma, tentarei, algo mais leve, mas quem sabe um dia eu faça um circuito mais complexo como esse.
    Parabéns!

    • Olá Paula! Também é possívem se hospedar nos hoteis ao redor do parque (com a vista magnífica para as montanhas), e fazer pequenos percursos diários para visitar os principais pontos do Parque Nacional Torres del Paine.

Deixe sua crítica, comentário e mais DICAS se tiver. BORALÁ!!